Neoliberalismo

1 - Não existe algo como um livre mercado

O que eles dizem

"Os mercados precisam ser livres. Quando o governo interfere para impor o que os participantes do mercado podem ou não podem fazer, os recursos são impossibilitados de circular para a sua utilização mais eficaz. Se as pessoas não podem fazer as coisas que consideram mais lucrativas, elas perdem o incentivo de investir e inovar. Portanto, se o governo colocar um teto no aluguel residencial, os locadores perderão o incentivo de manter as suas propriedades ou construir novas. Ou então, se o governo restringir os tipos de produtos financeiros que podem ser vendidos, duas partes contratantes que poderiam ter se beneficiado de transações inovadoras que satisfazem as suas necessidades idiossincráticas não podem colher os ganhos potenciais do livre contrato. As pessoas precisam ser deixadas "livres para escolher", como sugere o título do famoso livro Capitalism and Freedom [Capitalismo e Liberdade], de Milton Friedman, visionário do livre mercado.

O que eles não dizem

O livre mercado não existe. Todo mercado tem algumas regras e limites que restringem a liberdade de escolha. O mercado só parece livre porque estamos tão condicionados a aceitar as suas restrições subjacentes que deixamos de percebê-las. Não é possível definir objetivamente o quanto um mercado é "livre". Essa é uma definição política. A alegação habitual dos economistas que defendem o livre mercado de que eles estão tentando defender o mercado contra a interferência politicamente motivada do governo é falsa. O governo está sempre envolvido e esses adeptos do livre mercado estão tão politicamente motivados quanto qualquer pessoa. Superar o mito de que existe algo como um "livre mercado" objetivamente definido é o primeiro passo na direção de entender o capitalismo..."

"Em julho de 2008, com o colapso do sistema financeiro, o governo dos Estados Unidos "despejou" 200 bilhões de dólares no Fannie Mae e no Freddie Mac, os credores hipotecários, e estatizou-os. Ao presenciar isso, o Senador republicano Jim Bunning de Kentucky, em uma declaração que ficou famosa, condenou essa atitude como algo que só poderia acontecer em um país "socialista" como a França...

O Presidente Bush, contudo, não encarava as coisas exatamente dessa maneira...

"Lúcido, profundamente bem-informado e repleto de esclarecimentos impressionantes" - Noam Chomsky